A Associação Bolha de Água acusou esta quarta-feira a Câmara do Porto de estar a “assinar uma sentença de morte” aos comerciantes do Bolhão devido ao mercado provisório escolhido para transferir os lojistas quando o edifício encerrar para obras.

“A pretensão de quem gere o Gabinete do Mercado do Bolhão é pôr o maior número de pessoas daqui [do mercado] para fora. Colocar as pessoas na cave de um centro comercial é condená-las”, disse à Lusa Miguel Costa, presidente da associação e responsável pela Relojoaria Mendonça, um dos estabelecimentos do Bolhão com porta aberta para o exterior.

Contactada pela Lusa, a Câmara do Porto disse não querer acrescentar mais informação sobre este assunto, depois de, na terça-feira, ter garantido que os comerciantes estão a ser chamados “individualmente” para receber esclarecimentos sobre a reabilitação do mercado, destacando que a passagem dos lojistas para o Centro Comercial La Vie vai ser acompanhada por “uma campanha de promoção muito forte”.

As obras relacionadas com a recuperação do mercado centenário do centro do Porto começaram na segunda-feira, mas limitam-se ao exterior. O início da reabilitação do edifício está agendado para o primeiro trimestre de 2017, tal como a transferência dos lojistas.

“O piso -3 não tem visibilidade nenhuma. Fica num local escondido, sem visibilidade. Ninguém vai aguentar ali”, afirmou Miguel Costa. “Estão a mandar as pessoas, encapotadamente, pela porta fora”, acrescentou o responsável, notando que a associação Bolha de Água representa “entre 70% a 80% dos comerciantes do Bolhão”.

O presidente da Associação de Comerciantes do Bolhão, Alcino Sousa, aguarda “que a Câmara dê explicações” sobre as soluções encontradas para a reabilitação do mercado. “Se é bom ou mau, não sei. Essa é uma análise que todos os comerciantes têm de fazer em conjunto, depois de conhecer o que está em causa. Estamos à espera que a Câmara dê explicações”, frisou o responsável, dizendo que esta entidade, “a mais antiga associação do Bolhão”, representa “as pessoas que entenderem que deve representar”.

Depois de uma reunião da direcção na terça-feira, a Associação Bolha de Água entendeu manifestar-se “contra o local onde a Câmara pretende realojar os comerciantes”, esclareceu Miguel Costa, notando que “ninguém sabe o que vai acontecer aos lojistas do exterior do mercado”.

O socialista Manuel Correia Fernandes, vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, que integra a Associação Bolha de Água “como sócio e não como dirigente”, esclareceu à Lusa que não participou no encontro da direcção e destacou não existir qualquer “incompatibilidade em manter-se como associado da associação” depois de ter assumido funções na autarquia. “Não me demiti de nenhuma associação de que sou sócio. Não é por ser vereador que suspendi a minha actividade cívica”, disse.

Para o presidente da Associação Bolha de Água, é “questionável que a autarquia opte por um projecto de 30 milhões de euros quando tem um projecto do arquitecto Joaquim Massena que não obrigava os comerciantes a sair do mercado e custava 12 milhões”. O responsável explicou que a associação só agora se manifestou contra o projecto do actual executivo liderado pelo independente Rui Moreira porque “só agora” entrou em contacto “com o que a Câmara preconiza”.

As obras relacionadas com a reabilitação do Bolhão começaram esta semana com o desvio de uma linha de água e outros procedimentos necessários para permitir a estabilização do edifício e a construção de uma cave técnica no mercado. As empreitadas que se seguem são “a construção do túnel entre a Rua do Ateneu Comercial do Porto”, a “futura cave” do espaço e a “empreitada geral de restauro e modernização”, revelou a autarquia em Julho

O custo total da operação de restauro e modernização do Bolhão é “da ordem dos 27 milhões de euros”, acrescentou o município.

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