EPA/Steve Parsons / POOL

Médicos franceses relataram o primeiro caso confirmado de contaminação intrauterina de covid-19, num estudo publicado esta terça-feira, na revista “Nature Communications”. O recém-nascido, do sexo masculino, nasceu em março e sofria de sintomas neurológicos associados à doença.

“Mostramos que a transmissão da mãe para o feto é possível através da placenta nas últimas semanas de gravidez”, disse à AFP Daniele De Luca, do hospital Antoine Beclere de Clamart, principal autor do estudo. Este caso vem confirmar conclusões de estudos anteriores, que sugeriram a possibilidade de transmissão pré-natal de mãe para filho.a.

“É necessário analisar o sangue materno, o líquido amniótico, o sangue do recém-nascido, a placenta, etc… Reunir todas essas amostras durante uma epidemia com emergências em todas as direções não é simples, é por isso que se tratava de suspeita, mas sem confirmação”, explicou.

Os médicos conduziram o estudo numa mulher de vinte anos, hospitalizada no início de março. Como o parto foi realizado por cesariana, todas as amostras foram recolhidas e a carga viral mais alta de SARS-CoV-2 foi encontrada na placenta. “O vírus passou de lá através do cordão umbilical até ao bebé, onde se desenvolveu”, disse De Luca.

Vinte e quatro horas após o nascimento, o recém-nascido apresentou sintomas graves, incluindo rigidez dos membros e danos no sistema nervoso cerebral. Os sintomas desapareceram sozinhos, antes que os médicos decidirem um tratamento, na ausência de um remédio conhecido para tratar a covid-19.

“A má notícia é que isso pode acontecer. A boa notícia é que é raro – muito raro”, comentou De Luca.

Dos milhares de casos de crianças nascidas de mães com covid-19, pouco mais de 2% apresentaram resultado positivo para o vírus e quase nenhum desenvolveu sintomas graves, disse Marian Knight, professora de saúde materna e infantil da Universidade de Oxford, que não participou do estudo.

“A principal mensagem para as mulheres grávidas continua sendo evitar infeções por lavagem das mãos e distanciamento social”, insiste a especialista.

FonteJN
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Manny Olas estudou em Cambridge, Reino Unido, e vive em Northampton desde 2003. É um apaixonado por comunicação, serviço publico e interação com o publico em geral. Faz emissões de rádio online e negocia no mercado de valores como passatempo.