big brother

Os reality shows foram introduzidos pela TVI no nosso país em 2000, através da primeira edição do Big Brother.

Apesar das audiências terem caído com o tempo, a verdade é que à semelhança de outros países, os canais portugueses continuam a apostar neste tipo de programas, embora com formatos um pouco diferentes. Mas afinal quais são os problemas evidenciados por este tipo de programas?

reality show
Teresa Guilherme, apresentadora do Big Brother A Revolução

O primeiro problema está associado ao culto do voyeurismo. A curiosidade de saber a intimidade da vida dos outros é uma característica tipicamente humana, embora não seja propriamente uma virtude.

A fórmula televisiva inspirada na bisbilhotice da vida privada continua a ser utilizada abundantemente com algum sucesso, e nem os programas de entretenimento escapam a esta tendência.

Nos vários canais televisivos somos confrontados com a exposição pública da intimidade de pessoas — frequentemente humildes e ingénuas — que sorriem para a câmara, atraídas pela fama efémera, alimentando deste modo uma produção permanente de lixo televisivo.

Este “nudismo biográfico” é servido a granel, como se fosse uma ração diária para os espectadores, numa lógica de mercado: o espectador tem uma necessidade voyeurista e as televisões satisfazem esse hedonismo vicioso, mantendo as audiências.

Dificilmente, através desta fórmula televisiva, ficarão gravadas na nossa memória mensagens importantes.

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No BB2020 foram debatidos temas interessantes e culturais

As vidas alheias exibidas através de uma câmara, sem um tratamento jornalístico sério e ponderado, não passam de tédio televisivo. Também nunca serviu como terapia em psiquiatria o consolo obtido pelo conhecimento pormenorizado da desgraça e miséria alheia.

O mesmo se poderá dizer relativamente à contemplação da futilidade de algumas dessas existências humanas que são injustificadamente idolatradas neste tipo de programas.

O segundo problema está relacionado com a desinformação. Os meios de comunicação social ­— e a televisão em particular — podem ser utilizados para manipular as pessoas, tratando-as como se fossem mentecaptos.

Finalmente, chegamos ao problema da defesa da dignidade humana, que é válida para as crianças e também para os adultos.

As televisões transformaram-se em predadores de audiências. Já há muito tempo que os limites do respeito pela pessoa humana foram ultrapassados por motivações económicas.

Mas, não há maior crueldade do que a de quem se aproveita das pessoas que sofrem para delas obter lucro ou proveito.

Por isso, se não forem impostos limites éticos, estes programas de televisão, que expõem casos concretos de adultos e crianças, num espetáculo circense deplorável, irão espalhar-se como se fosse uma gangrena; como se fossem lamaçais de degradação humana expostos a céu aberto.

Acompanhe no LusoTimes:

Em tempos de pandemia tem-se verificado um crescimento exponencial de ódio, descriminação e violência virtual devido ao grande falhanço deste tipo de programas nas ultimas edições.

Um estudo “Cyberbullying em Portugal durante a pandemia da covid-19” mostra que, entre os agressores, quase um terço sentiu-se indiferente ou mesmo alegre face aos danos provocados. É preciso trabalhar mais a empatia e a tolerância, nas escolas e em casa.

O “Big Brother- A Revolução” estreou no passado dia 13 de setembro, na TVI.

O programa, que assinalou o regresso de Teresa Guilherme aos reality-shows, não tem correspondido às expectativas, e muitas têm sido as críticas ao formato, nomeadamente ao leque de concorrentes escolhidos.

Ainda numa gala de domingo, Ana Garcia Martins, “A Pipoca Mais Doce”, comentadora do formato, fez referência a isso mesmo.

Em suma este Big Brother – A Revolução, teve mais falhanços e percalços que todos os anteriores reality shows juntos.

Com tantas desistências a TVI, vê-se agora sem concorrentes suficientes para chegar ao final do programa.

Vamos lá resumir os percalços mais flagrantes, desta edição que tornaram o programa uma verdadeira revolução, pois realmente nunca antes tinha sido visto um reality show assim:

Em pouco mais de uma semana, 3 concorrentes abandonaram a casa mais vigiada do país e acabaram hospitalizados a necessitar de apoio psicológico (Luís, Bruno e André Filipe)

Um concorrente desistiu (Rui Pedro)

Uma repescagem de 4 concorrentes que acabou por ser mais um falhanço, uma ficou infectada com COVID (Liliana), outra desiste (Sandra) e para finalizar uma fura a quarentena (Jéssica Antunes)

Da repescagem só sobrou a Carina, que entra na casa e desbronca-se de tudo que se passa fora da casa

A nortenha após uma discussão desiste do programa e acaba por deixar a TVI desfalcada mais uma vez

Em suma, estes foram os principais eventos que marcaram esta edição do Big Brother, entre muitas discussões, desrespeito pelo Big Brother e casais que também eles passam a vida a discutir.

Resta saber como vai a TVI terminar o reality show com apenas 5 concorrentes, aliás 4, pois um dos nomeados vai abandonar a casa hoje domingo, 13 de dezembro.

FonteLusoTimes
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Manny Olas estudou em Cambridge, Reino Unido, e vive em Northampton desde 2003. É um apaixonado por comunicação, serviço publico e interação com o publico em geral. Faz emissões de rádio online e negocia no mercado de valores como passatempo.