Funcionários de Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmam ter testemunhado o assassinato extrajudicial de quatro civis por soldados etíopes em Tigray no início desta semana.

Uma equipe de MSF e dois micro-ônibus públicos foram parados por soldados após uma aparente emboscada em um comboio do exército em uma estrada principal na terça-feira.

Os passageiros tiveram que sair dos ônibus; os quatro homens foram separados das mulheres e baleados, diz MSF.

As autoridades dizem que as alegações da instituição de caridade de assistência médica serão investigadas.

“Nenhuma pessoa, incluindo soldados em serviço, está acima da lei”, disse a embaixada da Etiópia em Londres à BBC.

O conflito no norte da Etiópia eclodiu em Novembro, quando o governo lançou uma ofensiva para tirar o partido governante da região do poder depois que seus combatentes capturaram bases militares federais em Tigray.

A Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) teve uma desavença maciça com o primeiro-ministro Abiy Ahmed sobre o futuro do sistema federal de base étnica da Etiópia e seu papel no governo.

Abiy declarou que o conflito terminou no final de Novembro, mas os combates continuam em partes da região, com relatos de que milhares de pessoas foram mortas e centenas de milhares forçadas a deixar suas casas.

“Estamos horrorizados com a violência contínua em Tigray”, disse MSF em um comunicado sobre os assassinatos que sua equipe havia testemunhado.

“Este acontecimento horrível ressalta ainda mais a necessidade de proteção dos civis durante o conflito em curso e de os grupos armados respeitarem a prestação de assistência humanitária, incluindo assistência médica”.

O que a equipe de MSF viu?
As mortes ocorreram na estrada entre a capital regional, Mekelle, e a cidade de Adigrat, diz MSF.

Seus três membros da equipe viajavam em um veículo claramente identificado de MSF quando encontraram veículos militares em chamas.