Conheça os perigos de Sarahah, a app que está a conquistar os adolescentes

Enviar e receber mensagens anónimas tem sido um dos passatempos preferidos dos adolescentes portugueses este verão. Seguindo a tendência que, desde o final do mês de julho, se tem verificado um pouco por todo o mundo, os jovens nacionais deixaram-se conquistar pela Sarahah, a aplicação israelita que em árabe significa “honestidade” e permite trocar mensagens anónimas.

De acordo com as pesquisas do Google, o nome da app tem sido bastante pesquisado.

Entre as 43 regiões consideradas, Portugal surge em sexto lugar como um dos países que maior interesse tem demonstrado no Sarahah, logo a seguir ao Paraguai, Panamá, Costa Rita, El Salvador e Azerbaijão.

No site oficial, a aplicação é definida como uma forma de “obter feedback honesto dos seus amigos e colegas de trabalho“. Para fazer parte desta rede só tem descarregar a aplicação e criar uma conta. A partir daí está pronta para receber e fazer comentários anónimos a quem também estiver presente na app.

No entanto, se quiser receber um grande número de mensagens anónimas mais rapidamente terá de partilhar o link da sua conta do Sarahah nas suas redes sociais, para que os seus amigos e colegas possam encontrá-la mais facilmente. Apenas cada utilizador pode ver os comentários que lhe enviam através da aplicação e não existe qualquer possibilidade de resposta, pelo menos através da Sarahah.

Para divulgarem as suas contas e as respostas que dão a algumas das questões anónimas, os adolescentes têm recorrido ao Instagram Stories e ao Snapchat. Fazem uma captura de ecrã – termo também conhecido como print screen – e introduzem-nos nessas redes sociais.

Que tipo de mensagens anónimas trocam os adolescentes?

Segundo o testemunho de algumas adolescentes, entre os 13 e os 15 anos, dizem ter conhecido a Sarahah através de outros amigos que também usavam a aplicação, há cerca de duas semanas. Enquanto umas decidiram fazer parte da rede porque acharam divertida a possibilidade de trocar mensagens anónimas, outras apenas descarregaram a app porque os restantes amigos também estavam a usá-la.

A maioria das adolescentes garante receber, sobretudo, mensagens positivas. Elogiam-lhes a beleza e perguntam-lhes se têm namorado. Mas nem sempre é assim. De vez em quando também caem na caixa de entrada comentários bastante negativos, com que nem sempre as jovens sabem lidar.

“Por ser anónima, não sabemos quem faz as perguntas e, por isso, pode ter alguns perigos. Já existiram algumas aplicações deste género que acabaram por ser descontinuadas por haver cyberbullying. É preciso ter muita atenção e estar com a criança, perceber a importância que dá ao elogio, como lida com a crítica, a resolve e ultrapassa”, explica a psicóloga clínica Raquel Ferreira.

Preocupados com o aumento de interesse pela aplicação por parte dos mais jovens, especialistas brasileiros falaram já no perigo de esta ferramenta promover algo como o “sincericídio anónimo”. Desta forma e por via da sinceridade sem identidade, este tipo de mensagens poderia promover o suicídio da autoestima e da imagem.

“É preciso alertar os pais”

A necessidade de aceitação por parte dos amigos e colegas é o que leva os adolescentes a submeterem-se à opinião de anónimos através deste tipo de aplicações e revela, em muitos casos, uma baixa autoestima.

“Querem ser aceites pelo grupo. Como nesta aplicação as pessoas podem colocar as perguntas de forma anónima serão sempre mais sinceras do que pessoalmente e os jovens procuram muito isso, querem perceber a opinião sincera e genuína dos outros“, afirma a psicóloga clínica.

Na opinião da especialista, os pais não precisam de proibir os filhos de utilizar a Sarahah, tal como não têm de afastá-los completamente de redes sociais como o Facebook e o Instagram. Só têm de estar atentos e consciencializar as crianças para os perigos que correm.

 

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