Emigrantes Portugueses no Luxemburgo perdem direito a votar

“Cada vez temos mais desgosto em ser portugueses”,

é assim que um dos mais de 100 mil Portuguêses emigrados no Luxemburgo descreve o que sente ao ser impedido e excercer o seu direito como Português e por não haver informação nenhuma por parte do governo ou das autoridades responsáveis.
Quem foi actualizar o cartão de cidadão a Portugal deixou, sem saber, de estar recenseado no país de residência. No Luxemburgo vivem cerca de 100 mil portugueses, 74.797 dos quais com mais de 18 anos, segundo o registo da população.

Os emigrantes portugueses começaram este domingo a votar nos consulados, que vão estar abertos durante dois dias para as eleições presidenciais, mas no Luxemburgo houve muitos que não o fizeram por não constarem dos cadernos eleitorais.

Carlos Gomes apanhou o comboio em Dudelange, a 25 quilómetros do Luxemburgo, e pagou mais 10 euros pelo táxi que o levou da estação até ao consulado porque “tinha medo que fechasse à hora de almoço”, mas afinal não pôde votar. O problema, explicou-lhe um funcionário, é que fez o cartão de cidadão em Portugal e o nome foi excluído dos cadernos eleitorais no estrangeiro. Apesar de viver há 28 anos no Luxemburgo, neste acto eleitoral, teria de ir votar a Mortágua.

“Tivemos pessoas que fizeram o cartão de cidadão em Portugal e deixaram de estar recenseadas aqui, e lá também não as informaram”, explicou à Lusa o cônsul de Portugal no Luxemburgo, Rui Monteiro.

Esta manhã, em pouco mais de uma hora, pelo menos sete emigrantes foram impedidos de votar. Maria do Carmo Dias veio com o marido, ambos a viver no Luxemburgo há mais de 40 anos, mas só ele é que pôde votar. “Fiz o bilhete de identidade em Portugal e fiquei sem poder votar, mas nós temos a morada do Luxemburgo no cartão de eleitor. Por que é que modificam as coisas sem nos dizerem nada?”, criticou.

Cremilde Gouveia tem 66 anos, e tanto ela como o marido já votaram várias vezes no Luxemburgo, mas hoje nenhum pôde fazê-lo. “Apanhámos aí com uma bofetada, foi aborrecido. Isto é tudo falta de informação, nem sequer nos avisam, até para saber como se vota ouvimos na rádio Latina”, contou.

“Cada vez temos mais desgosto em ser portugueses”, queixou-se Guilherme Ferreira, de 68 anos, que também renovou o BI em Portugal há pouco tempo, “então com a informática era assim tão difícil votar aqui ou lá em baixo?”. “Nós estamos na Europa, não há fronteiras, devíamos poder votar nos dois países”, lamentou.

Uassan Gomes nasceu na Guiné-Bissau, chegou a Portugal em 2000, onde se naturalizou, e fez questão de ir votar, mesmo depois de ter saído do país para escapar à crise, em 2013. “Sinto-me português. A minha nacionalidade é portuguesa e eu tenho este dever, é muito importante”, disse o pintor da construção à Lusa.

Ao final da manhã, dos 2.027 eleitores recenseados no Luxemburgo, tinham votado cerca de 80 pessoas, uma afluência que excedeu as expectativas dos funcionários consulares.

No Luxemburgo vivem cerca de 100 mil portugueses, 74.797 dos quais com mais de 18 anos, segundo o registo da população.

 

source: http://rr.sapo.pt/

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