John Hodgson, cidadão britânico condenado a sete anos de prisão em Portugal por ter agredido mortalmente Ricardo Teixeira, foi detido em Inglaterra e aguarda agora a decisão da sua extraditação requerida pelas autoridades portuguesas.

O autor da agressão teme ser “vítima de retaliações se for colocado numa prisão portuguesa”. Além disso, alega que casou e que tem dois filhos ainda crianças. A decisão de extraditar ou não o britânico, de 29 anos, que permanece encarcerado, será conhecida na próxima segunda-feira, 24 de Fevereiro.

Ricardo Teixeira, de 23 anos, foi agredido à entrada do Matt’s Bar, em Albufeira, com uma cotovelada por Hodgson, na altura com 20 anos de idade, na madrugada de 7 de julho de 2011. O português ficou em estado grave após a agressão e acabou por morrer, dias depois, no hospital.

O britânico foi condenado em 2016 a sete anos de prisão e a pagar uma indemnização de 138 mil euros aos pais da vítima, pelo crime de ofensa à integridade física, agravado pelo resultado.

O colectivo de juízes deu como provado que Hodgson agrediu Ricardo Teixeira com uma cotovelada na cara e regressou ao bar. O português caiu de umas escadas, sofreu um traumatismo cranioencefálico e nunca mais recuperou. A morte foi declarada uma semana depois, no hospital de Faro.

O britânico nunca compareceu em tribunal, não tendo regressado a Portugal. Como a sentença transitou em julgado foi emitido um mandado de detenção europeu pela justiça portuguesa. Hodgson foi detido há dias em Kent e foi presente já a um juiz numa audiência para se decidir a sua extradição ou não.

“Temia pela minha segurança”

A procuradora apresentou em tribunal os motivos para a extradição, descrevendo os factos que levaram à condenação de John Hodgson. E confrontou o acusado: “Porque é que nunca compareceu em tribunal?”

Hodgson respondeu: “Tinha medo, temia pela minha segurança. Ouvi dizer que a família dele fazia parte de um gangue ou de uma máfia. Vi também fotografias dos protestos que fizeram, com um cartaz onde se lia Inglês Assassino. Não sei se não me podem fazer mal numa prisão portuguesa.”

No tribunal, o britânico confessou ainda estar a sofrer de “ansiedade e depressão” com o caso.