Foi a última intervenção no parlamento de Jeremy Corbyn enquanto líder do Partido Trabalhista. Na hora da despedida do seu rival, Boris Johnson mostrou cortesia, prestando tributo à “sinceridade e determinação em construir uma sociedade melhor” do seu oponente.

Fazendo o seu discurso final nas bancadas do parlamento, após quatro anos e meio à frente da oposição, Corbyn apelou à união do Reino, nestes tempos “altamente conturbados”.

“Esta crise mostra-nos o quanto dependemos uns dos outros. Apenas a ultrapassaremos se formos uma sociedade em que remem todos para o mesmo lado”, disse Corbyn no adeus.

“Em tempos de crises, ninguém é uma ilha, ninguém é auto-suficiente. É em tempos como este que temos de reconhecer o valor de cada um e a força de uma sociedade que se preocupa com todos”, concretizou o ainda líder dos trabalhistas.

O último confronto com Boris Johnson centrou-se na resposta e nas medidas do Governo de combate à pandemia de coronavírus.

Corbyn apelou ao primeiro-ministro para que aumente o número de testes, que suspenda toda a construção civil que não seja urgente e que dê mais apoio aos trabalhadores por conta própria e a quem pague rendas de habitação.

O líder da oposição pediu ainda ajuda para todos os britânicos retidos pelo Mundo fora, que não conseguem regressar a casa e se sentem “abandonados”.

Jeremy Corbyn, eleito líder trabalhista pela primeira vez em 2015, agradeceu as “palavras elogiosas” de Boris Johnson e deixou no ar a ideia de que não se retirará da primeira linha da política britânica: “A minha voz não se calará. Andarei por aí, em campanha, discutindo e pedindo justiça para as pessoas deste país e de todo o Mundo.”

O parlamento britânico encerra agora durante quase um mês, tendo como data de reabertura, para já, o dia 21 de Abril. Os deputados foram enviados para casa uma semana antes do período habitual de férias da Páscoa, devido à pandemia da Covid-19.