“Estas medidas não são conselhos: são regras e serão feitas cumprir, pela polícia, com multas desde 30 libras até um valor ilimitado por falta de cumprimento”, afirmou ontem o secretário de Estado da Saúde no parlamento britânico.

Matt Hancock avisou que a pandemia de Covid-19 está a “acelerar rapidamente” e que as medidas tomadas são “absolutamente necessárias” para travar o ritmo de transmissão, aliviar a pressão sobre o Sistema Nacional de Saúde (NHS) e salvar vidas.

O Governo britânico ordenou na segunda-feira aos britânicos para permanecerem em casa, depois de intensa pressão da imprensa, especialistas e da oposição, intensificando as medidas para reduzir a propagação do coronavírus.

Numa comunicação ao país transmitida pela televisão, o primeiro-ministro disse que só devem sair para fazer “compras de bens essenciais o menos frequentemente possível, uma forma de exercício por dia, como correr, andar ou andar de bicicleta, sozinho ou com membros do agregado familiar, por necessidade médica ou para ajudar uma pessoa desfavorecida e para ir para o emprego, mas só quando for necessário”.

Quem não cumprir as regras poderá ser multado pela polícia, que também terá poderes para dispersar ajuntamentos de mais de duas pessoas.

No primeiro dia de confinamento, o trânsito automóvel foi reduzido e as ruas de Londres, geralmente movimentadas durante a hora de ponta da manhã, ficaram silenciosas em muitas zonas.

Porém, imagens partilhadas nas redes sociais e na imprensa mostraram o metro lotado, dificultando o respeito pelas regras de distanciamento de pelo menos dois metros entre as pessoas.

“Devemos parar todo o uso desnecessário de transportes públicos. Ignorar essas regras significa que vidas serão perdidas”, alertou o Mayor de Londres, Sadiq Khan, através da rede social Twitter.

O endurecer das medidas de distanciamento social é um resultado de uma sucessão de apelos do Governo aos britânicos, que começou no início de Março com uma campanha para a população lavar as mãos, seguida pelo conselho ao auto-isolamento às pessoas com sintomas.

Só na semana passada é que as autoridades urgiram as pessoas a evitar contactos sociais desnecessários e apenas dias mais tarde ordenaram o encerramento de escolas e de estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes, teatros, cinemas.

“Hesitação e falta de transparência”

O Governo perdeu a “janela de contenção” do vírus há várias semanas e a “hesitação e falta de transparência” na forma como foram tomadas as decisões, que o Governo atribui a parecer científico, vai custar milhares de vidas, escreveu hoje a professora de Saúde Global na Universidade de Edimburgo Devi Sridhar no jornal The Guardian.

Na sua opinião, para reduzir o ritmo de contágio, o confinamento terá de ser acompanhado pelo teste em massa de pessoas, da identificação dos seus contactos e respetivo isolamento, aumento de capacidade do sistema de saúde e maior protecção dos médicos e enfermeiros.

“Temos de correr para compensar o tempo perdido com dois meses de passividade”, alertou Devi Sridhar.




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