Repouso por momentos
o coração no azulejo mouro
dos teus lábios. Será possível?

E caminhas pressinto!
Uma cotovia sedosa anuncia
entre dois sinais de fumo e fogo
o dia do nosso reencontro.
Será verdade?

Podes continuar
a olhar o sol poente
e a descer ao mais fundo
dos meus sonhos ateus como os teus.
O que mais quero
é partilhar contigo o meu silêncio!

Repouso por momentos o coração
os olhos o pensamento na pedra
na laje fria da igreja.

E depois pedindo escrever: Vem!
Virás? Peço-te um só beijo
breve singular e leve.
A mão sediciosa nos cabelos
e um sorriso de vento
cristalino um sorriso passageiro.

(13.03.1983)

In “Mãos de Areia – As Palavras que Ficaram”

Créditos da Foto – Woman in sunlight, 1937 – Fotógrafo Max Dupain https://en.wikipedia.org/wiki/Max_Dupain

https://pedroassiscoimbra.blogspot.com/

Pedro Assis Coimbra
PAC, português cidadão do mundo, nasceu em Amiais de Baixo, Santarém em 29 de outubro de 1958 e vive em Budapeste há mais de 40 anos. “Militante das Palavras” escreve poesia porque é a maneira que tem de respirar e viver.