ARNALDO RIVOTTI

Levantei a cabeça… Que coisa! Estava no Calhau em São Vicente, a meio côvado das bordas do mar, não mais, estava a superfície da água iluminada pelo sol brilhante, tremente e encrespada com as lestadas das seis.

Ainda mais à frente, no fim da água marulhosa, avistei Santa Luzia, a única ilha deserta do arquipélago, como se fosse parte de uma tela de um reino enfeitiçado. Tudo em volta estava tão imóvel, tão silencioso, como um sonho, um sonho fantástico, um sonho de sodade…

um bom cabo-verdiano não dispensa pela manhã uma cachupinha refogada, ovo, linguiça, leite e café, aquele que hoje aspira a Património do nosso Mundo

Acabei por me apaixonar por estas terras crioulas, onde o mar chapinha levemente aqui tão perto de nós. Quando o vento de leste se vai, as noites tornam-se calmas e bonitas e ótimas para degustar os mais variados sabores da terra e do mar, combinações maravilhosas criadas com a morabeza das gentes, temperadas pelas moranas e coladeras (mornas e coladeiras).

Aprendi que um bom cabo-verdiano não dispensa pela manhã uma cachupinha refogada, ovo, linguiça, leite e café, aquele que hoje aspira a Património do nosso Mundo. Um couscous com queijo de cabra é uma iguaria também muito apreciada.

Nem falo das garoupas, atuns, cavalinhas e gorazes, do xerém e da suculenta lagosta

A Street Food também faz parte de Cabo Verde, com vendedoras ambulantes que andam de balaio à cabeça a vender de tudo um pouco. Raras e saborosas são também as calabaceiras, as azedinhas e as tambarinas.

O vinho do Fogo, com uvas amadurecidas pelo Vulcão, que é o rei dos vinhos e o vinho dos reis. As mangas são pequeninas mas o seu perfume intenso invade os lugarejos.

Nem falo das garoupas, atuns, cavalinhas e gorazes, do xerém e da suculenta lagosta que é uma verdadeira perdição e tantos outros manjares. Que mais será preciso para nos sentirmos bem?

A simpatia, o bom clima e a boa comida vão fazer que volte sempre, como hoje o faço.

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ARNALDO RIVOTTI