quarentena
Os casos em Portugal têm vindo a aumentar desde que o país foi isento da quarentena no Reino Unido em 22 de Agosto (GETTY IMAGES)

A partir de sábado, quem voltar ao Reino Unido com partida em Portugal vai ter de cumprir quarentena obrigatória.

Os estudantes portugueses que, no aeroporto, se preparam para regressar ao Reino Unido (hoje) sexta-feira são da opinião geral que os britânicos cumprem pior as medidas de contenção da pandemia.

Inglaterra voltou a colocar ontem (quinta-feira) Portugal Continental na lista de países cujos passageiros estão sujeitos a quarentena, como resposta à pandemia de covid-19.

O isolamento de 14 dias passa a ser obrigatório em quase todo o Reino Unido, uma vez que os viajantes vindos de Portugal Continental já estavam sujeitos a quarentena na Escócia e no País de Gales, desde os dias 5 e 4 de setembro, respetivamente.

A medida entra em vigor a partir das 4 da manhã deste sábado.

quarentena obrigatoria
A saída de Portugal da lista de destinos seguros já era esperada na passada quinta-feira mas o governo britânico optou por não mexer na lista.

Portugal está com 28.3 por cada 100 mil habitantes nos últimos 7 dias.
Ou seja, bem acima do limite de 20, estabelecido por Londres.

As 4 nações que compõem o Reino Unido têm autonomia de decisão nesta matéria.
Inglaterra e País de Gales excluíram Portugal continental mas mantiveram as ilhas, como destinos seguros.

A Escócia removeu Portugal inteiro.
E a Irlanda do Norte continua a considerar todo o país como um destino seguro.

Em comunicado oficial, o governo inglês informa que, tal como Portugal, França, Hungria, Polinésia Francesa e a ilha de Reunião também passam a estar fora da lista dos corredores turísticos.

O governo inglês fala numa “capacidade de diferenciar a Madeira e os Açores e o resto de Portugal do resto de Portugal”.

O governo inglês afirma que segue os dados do Joint Biosecurity Centre and Public Health England, que terá detetado uma mudança significativa no nível e no ritmo dos casos confirmados em Portugal.

Ficam também desaconselhadas todas as viagens não essenciais para o território continental português.

Em sentido contrário, o governo inglês decidiu incluir a Suécia na lista de corredores seguros, na sequência de uma diminuição da incidência da pandemia naquele país.

Portugal só foi incluído na lista dos países com “corredores de viagem” com o Reino Unido há três semanas, a 20 de agosto, porém o aumento contínuo do número de casos de infeção em Portugal terá pesado na decisão, que era esperada na semana passada, quando ultrapassou o nível de 20 casos por 100 mil habitantes.

Na altura, o ministro dos Transportes, Grant Shapps, alegou que não excluiu Portugal devido à “taxa de positividade” em declínio.

MNE lamenta exclusão do continente do corredor aéreo britânico

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal, Augusto Santos Silva, lamentou a decisão britânica de excluir Portugal continental da lista de países seguros.

O ministro acrescentou, na mesma publicação, que as regras sanitárias implementadas em Portugal têm controlado a covid-19.

Santos Silva frisou que continuará a ser enviada para o Governo britânico a informação relativa à evolução da covid-19 no país.

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, defendeu que a saída de Portugal da lista de países seguros do Reino Unido não é correta, nem fundamentada por razões objetivas.

O governante lembrou ainda que a União Europeia definiu que os países não devem aplicar “restrições à circulação” dos cidadãos dentro do espaço europeu.

Por outro lado, Siza Vieira notou que os operadores económicos e turísticos vão ter um ano ainda mais difícil na sequência desta decisão.

O presidente do Turismo do Algarve disse que a decisão do Reino Unido de retirar Portugal do corredor aéreo que isenta os viajantes de quarentena à chegada ao seu território, “não é uma boa notícia, mas era esperada” indicou à agência Lusa o presidente da Região de Turismo do Algarve, João Fernandes.

Para João Fernandes, a decisão britânica é “uma contrariedade muito grande para a procura externa do Algarve, dado que setembro é o mês de maior procura dos britânicos e que dita o início da época alta do golfe”.

FonteJN
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Manny Olas estudou em Cambridge, Reino Unido, e vive em Northampton desde 2003. É um apaixonado por comunicação, serviço publico e interação com o publico em geral. Faz emissões de rádio online e negocia no mercado de valores como passatempo.