A hidroxicloroquina e a cloroquina, medicamentos utilizados para o tratamento da malária, estão a ser utilizadas num ensaio clínico com profissionais de saúde do Reino Unido, para provar se este fármaco funciona na prevenção da Covid-19.

O estudo, liderado pela Unidade de Investigação em Medicina Tropical Mahidol Oxford, incluirá mais de 40 000 pessoas que trabalham com doentes confirmados ou suspeitos de sofrer da doença na Europa, em África, Ásia e América do Sul.

Um dos autores da investigação, Nicholas White, assegurou que não se sabe se o medicamento é “benéfico ou prejudicial”, dizendo que “a melhor forma de descobrir” é realizar um ensaio clínico aleatório.

O investigador do Colégio de Medicina de Brighton e Sussex Martin Llewelyn considera que se estes fármacos reduzirem a possibilidade de contrair Covid-19, isso será “tremendamente valioso” e que uma vacina poderá “estar muito longe”.

As provas iniciaram-se ontem nos hospitais universitários de Brighton e Sussex e no Hospital John Radcliffe de Oxford, prevendo-se que os resultados estejam disponíveis até ao final do ano.

Entretanto, o Executivo liderado por Boris Johnson quer disponiblizar cerca de 16 milhões de comprimidos em pacotes até 100 unidades.

Segundo o Guardian, o contrato está disponível no site do Governo, num investimento estimado em 35 milhões de libras que será levado a concurso público amanhã. Esta é uma “oportunidade” para as indústrias farmacêuticas fornecerem mais de 33 milhões de comprimidos de vários medicamentos para testes, incluindo a hidroxicloroquina e a cloroquina, entre Junho deste ano e Janeiro de 2021.

Neste contrato, o Reino Unido exige que o medicamento seja fornecido na forma de 220mg ou 250mg.

Recorde-se que as autoridades britânicas nunca recomendaram, até aqui, o uso da hidroxicloroquina, bem como as entidades oficiais de saúde de todo o Mundo, uma vez que não existe comprovação científica de sua eficácia.

No Brasil, por exemplo, este medicamento é considerado como uma arma no combate à pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ontem, a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) afirmou que ainda é cedo para recomendar a utilização da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. A entidade argumenta que o medicamento pode causar efeitos colaterais graves e que este ainda não provou ser benéfico aos doentes.

O presidente dos Estados Unidos da América também já disse ser a favor da medicação e, ontem, chegou a mesmo a dizer que estava a tomar ele próprio hidroxicloroquina. “Tenho ouvido falar muito bem. Ficariam surpresos com a quantidade de pessoas que estão a tomar o medicamento, em especial os profissionais que trabalham na linha da frente”, disse Donald Trump.


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