As águas doces agitam-se
correntes transportam pipas de vinho
vidros madeiras gaiolas e mastros.

Loureiros com ninhos de pintassilgos
folhas e bicos línguas de prata.
Olhos e que olhos! Açúcar em rama
amêndoas descascadas ramos de amendoeira.

Eu demoro em ti resisto em ti
descubro-me sem ti rosa pequena!

Navego por entre as ranhuras
cálidas e herméticas
do teu corpo finalmente iluminado
fantasia do nevoeiro adiado da solidão.

Jacinto um brinco princês
de princesa nativa e adorada
cresce e faz sombra e anoitece
nos lábios ardentes do navio
carpa desejo no segredo do rio.

Vêm amor vêm comigo
minha única e verdadeira flor.
Importa que só saiba palavras vulgares?

In “Vai Palavra Vai – As Palavras Que Ficaram”

Pedro Assis Coimbra

 

Crédito da imagem: The Kiss – Fred Jana

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Pedro Assis Coimbra
PAC, português cidadão do mundo, nasceu em Amiais de Baixo, Santarém em 29 de outubro de 1958 e vive em Budapeste há mais de 40 anos. “Militante das Palavras” escreve poesia porque é a maneira que tem de respirar e viver.